quinta-feira, 26 de junho de 2008

O chupa moedas

Dizem que a sociedade se transformou em algo horrível, porque passarmos na rua e ignorarmos os pedintes. Que parvoíce pegada. Isso de ignorarmos os pedintes é uma coisa que considero normalíssima, pois geralmente só nos deixamos enganar uma vez e a partir do momento em que vemos um senhor, todo roto, a arrumar carros e de seguida entrar num Mercedes Classe A, tudo muda. Por isso, é normal que pensemos que todos os outros pedintes, mendigos, pobrezinhos, drogados, mandriões, alérgicos ao trabalho e afins, também actuem da mesma maneira e queiram viver à lord, com a ajuda das nossas moedas pretas.

Assim, e de uma maneira também perfeitamente normal, as pessoas que dedicam à pedinchice, viram-se forçadas a fazer um upgrade à sua forma de abordagem, de modo a chamarem, mais facilmente, a atenção dos transeuntes e das suas moedas. Até porque para além de terem de combater a indiferença de que são alvo, a vida está difícil para todos e de um modo geral, os pedintes vêm todos com a mesma conversa.

E é aqui que entra o cego rapper do metro:



Meus amigos, isto é que é inovar. Para mim este homem é enorme, sou fã. Aliás, acho-o tão bom que nem percebo por que é que aquele beat boxer francês foi escolhido para o anúncio da Vodafone, quando está aqui este menino com um potencial enorme… Bom, mas também estou a falar de coisas que não sei. Às tantas ele até era a primeira hipótese mas preferiu aguardar por um convite de uma operadora portuguesa, pois é um patriota.

E atenção que este rapaz é cego, não é parvo. Como se pode ver, ele percebeu logo que se fosse diferente dos outros “chupa moedas” (termo inventado por mim neste preciso momento), podia lucrar mais que eles. E assim vai-se safando. E reparem que ele continua a utilizar, qual regra nº 7 do manual do cego pedinte, a frase do “não sei quê, bondade de meu auxiliar”. Ou seja, mesmo tendo mais sucesso, continua a usar as expressões dos seus concorrentes, de forma a evitar a concorrência desleal.

Ora bem, caso eu andasse por aí a tentar oferecer uma moeda de 5 cêntimos, preferiria dá-la ao velho cego que só passa ali com a caixinha das moedas ou dá-la ao rapper branco e cego que até faz umas músicas giras? É pá, para mim a resposta é óbvia.

Claro que podem argumentar o tal rapper é mal-educado se ninguém lhe dá esmolas… Mas eu compreendo-o, então o homem ali a esforçar-se por fazer músicas altamente e ninguém lhe dá nada? Nem batem palmas? Eu também ficava indignado. A sério.

Assim de repente e para terminar, penso que se calhar o problema dele é ter nascido em Portugal. É que provavelmente, se fosse americano já tinha sido entrevistado pela Oprah, já tinha lançado uns CD’s com o Eminem e já tinha feito uns videoclip’s com umas gajas boas e tal… Aqui, o máximo que pode alcançar é ser entrevistado pela Júlia Pinheiro e ser gozado pelo Valete num rap qualquer.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Os sapos

Há muitas coisas que me fazem confusão. E nesta altura do dia, a coisa que me faz mais confusão é aquele bicho marado, o sapo. mas não são todos. Não há nenhum motivo especial, é só porque sim. E também não me fazem todos confusão. Aqueles que, inocentemente saltam de garrafa de óleo em garrafa de óleo, nos límpidos rios portugueses, tentando evitar a morte por asfixia num qualquer saco de plástico, dum hipermercado qualquer, não. Claro que não. Esses não me metem confusão, metem-me pena. Sim pena, porque já não chegava viverem na merda como também não podem fumar. Nem sequer um cigarrinho depois de fazer o amor. Nem erva. Nada. Parece que podem explodir. E é triste ter que morrer só para relaxar ou apanhar uma moca. Não compensa.

Os sapos que me metem “confusão” - termo que estou a pensar alterar para nojo - são os que andam nos eventos a fazer publicidade a não sei o quê. São uns bonecos verdes, vestidos de licra e com uma cabeça totalmente desproporcional… Sinceramente não encontro adjectivos para os caracterizar, pelo que, se ainda não me consegui explicar, façam o favor de cuscar um hi5 qualquer pois de certeza que há lá fotos deles. É que toda a gente quer tirar fotos com o raio dos sapos! Não se percebe...

Mas isto dos sapos deixa-me uma dúvida que penso ser pertinente: aquilo são pessoas, não são? É que às vezes parece que sim, outras nem tanto. Pá, não sei. Mas se forem mesmo pessoas, espero que estejam a ser bem pagas para fazer aquelas figuras. E digo isto porque se não são bem pagas, são extremamente parvas. Mesmo.

E já que se põe a hipótese de serem pessoas parvas, será que quando tiram fotos com eles, eles fazem uma cara bonita para aparecerem bem na foto? Será que sorriem? Se forem estúpidos ao ponto de fazerem figuras ridículas e não receberem bem, penso que sim.

Pronto e afinal é só isto. Parece que agora já nem me faz tanta confusão assim. Se calhar é porque atravessei a estrada numa passadeira. Humm. É isso. Sim.

sábado, 14 de junho de 2008

O meu banco

O meu banco é uma coisa fantástica. Sempre perto de mim, zelando pelos meus interesses… É pá, gosta de mim. Parece que a malta que lá trabalha só descansa quando me vir cheio de coisinhas boas, tudo do melhor. Uma vida de luxo. E se eu digo que não, eles insistem. Telefonam-me, enviam-me cartas atrás de cartas, sempre a oferecer cenas e, curiosamente, subindo sempre a fasquia.

'Quer um crédito de 20.000 já aprovado? 'Tá aqui!'
'Quer ir às compras sem esperar pelo fim do mês? 'Bora, aqui tem um cartão de crédito!'

São uns porreiros, pá. E queridos. E às vezes até me tratam por ‘senhor’! Enfim... a vida podia ser sempre assim, alegre e interessante. De facto, podia... se eu não achasse que eles me querem comer o rabinho. É que eles sabem perfeitamente que eu não tenho mais de 500€ na conta e também não tenho um patrão que ao fim do mês me faça uma transferência, de modo a abater a minha dívida.
Portanto, como eu parto do principio que eles são fofinhos e não me querem ver endividado, só podem mesmo estar a tentar fazer com que eu pague com o corpo...

Ah, seus interesseiros!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pesquisando emprego

Para o caso de ainda não terem percebido, eu sou um homem. E quando chega o calor o que é que os homens pensam? Ir para a praia, ver gajas. Quer dizer, isto no caso de não serem camionistas, pois esses pensam em fazer greves e tentar parar o país à força toda. E vendo bem as coisas, até têm razão. O problema é que neste belo país, não se safam. Reparem, se nos guiássemos pela lógica, se o povo fosse informado que a comida e a gasolina iam acabar, comia e abastecia menos. Tinha lógica… se não estivéssemos em Portugal! Aqui, quando a malta vê que qualquer coisa vai acabar, o que é que faz? Vai para a fila, para que acabe mais depressa!


‘Ai a gasolina vai acabar? Então vou já lá encher o depósito e já agora aproveito e levo um bidon que tenho ali e encho-o também!’

Mas isso de pensar em parar o país, era se fossemos camionistas e acredito que a maioria não é. Pelo menos eu não sou… ainda. E assim sendo, penso em ver gajas. De preferência nuas, mas como isso ainda não é possível (sem pagar), a opção é ir para a praia. Ora, acontece que este menino (eu) habita num subúrbio e para ir molhar o pezinho, tem que se deslocar.
E podia ir de transportes públicos, mas acontece que, já desde pequeno, não gosto de cheirar o sovaco das outras pessoas. Eu sei que estou errado, mas não consigo mudar. Deste modo, vejo-me obrigado a ir de carro. Carro esse que, para minha infelicidade só anda quando tem combustível. E é triste, porque a gasolina custa dinheiro. E como não tenho dinheiro, tenho que trabalhar. A sorte é que arranjar trabalho é fácil. Basta ir à internet e pesquisar. Eu fiz isso e apareceu-me isto:

PERFIL:
- Mínimo 9º ano de escolaridade (ok, tenho)
- Boa apresentação (sou lindo, tenho)
- Conhecimentos de informática na óptica do utilizador (tenho)
- Disponibilidade horária (sim)
- Elevado nível de maturidade e responsabilidade (sempre)
FUNÇÕES:
- Apoio ao cliente
- Caixa
- Manutenção da loja

‘Eh lá, que oportunidade boa! Estou mesmo a ficar interessado. Isto deve ser para trabalhar numa loja, a vender roupa ou assim’ – pensava eu. Até que depois reparei no título do anúncio:

Aprendiz de Sapateiro - Urgente


E ri-me. Porque isto é estúpido. Afinal para colar solas não é preciso curso superior? Penso que terá sido um lapso.

OFERECE-SE:

- Horários rotativos (A facilitarem a malta, gosto)
- Remuneração base mensal + prémios (Ui, loucura. 1 euro por cada palmilha vendida, será?)
- Projecto com continuidade (Sim, é o sonho de qualquer pessoa)
- Integração em equipa sólida e dinâmica (Equipa? Quem, o sapateiro e o aprendiz?)
- Empresa conceituada no mercado (Provavelmente é a Sonae dos sapatos...)
- Bom ambiente de trabalho (Tirando o cheira a cola, não?)

É pá, eu sinceramente gostei da proposta. Agora, acontece que eu moro perto de um centro comercial e por acaso anda lá um homenzinho, coxo, que diz que é sapateiro. Diz que é, porque depois disto, acredito que ele não reúne os requisitos mínimos para exercer tal profissão. Assim, amanhã vou ter de ir lá apresentar uma reclamação. Mas só depois de ir à entrevista para esta oportunidade de emprego que, quer queiramos, quer não, é espectacular pá.

domingo, 8 de junho de 2008

Coiso e tal

Eu gostava de comer uma belga. Não as bolachas, por que essas já comi. E gostei. Muito. Cheguei ao ponto de comer três e quatro ao mesmo tempo. Sempre tentando dar atenção a todas, para não haver queixas. Tento sempre agir como um cavalheiro, mesmo em situações que se calhar devia era mandar as pessoas porem-se no #######. O que não era o caso, estou a falar de bolachas. Comi e fiquei com vontade de mais. De tal forma que tivesse aqui mais meia dúzia, comia outra vez. Mas só meia dúzia, se fosse só uma não. É que acabei de lavar os dentes e uma só bolacha não valia o sacrifício/trabalho que seria lavá-los de novo. E já que estou a divagar, apetece-me dizer que sou solteiro e estou seriamente à procura de uma companheira que seja rica, culta, interessante, extremamente bonita e bem feitinha.


Acredito que vou ter sorte, isto se a revista TV 7 Dias estiver certa. Uma vez vinha lá a dizer que os opostos se atraem. Veremos. Quanto à menina em questão, se for belga melhor. Se for sueca ainda melhor. Agora assim de repente, as belgas não estão mais pequenas? Claro que são as bolachas, como disse logo início, não tenho termo de comparação. Afinal, estão? Parece-me que sim. Ou é isso ou então fui eu que cresci. Agora fiquei na dúvida. De qualquer das formas, vou enviar uma reclamação para a Triunfo. E vou escrevê-la nas três línguas que são faladas na Bélgica. Não pensem que eu sou inteligente, apenas fui ver à Wikipedia. E também não sou poliglota (vi esta palavra num dicionário online), só conseguirei escrever nas tais três línguas porque existem tradutores online.

Resumindo:
Bolachas belgas, mau.
Internet, bom.

Sim, isto foi um bocado forçado. Eu sei e não me importo minimamente. Não compliquem.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Carros? Yeah right…

Para mim, o carro é aquela coisa que usamos para nos deslocarmos. Eu sei que estou a ser muito básico… mas hoje não me apetece estar a inventar introduções parvas e como sou eu que estou a escrever, fica assim. Claro que há quem use o carro para trabalhar, para fazer sexo ou mesmo até como uma arma, para matar outras pessoas. Há de tudo. Aliás, arrisco-me a dizer que o carro é como cu: há quem o use para defecar, há quem o use para outras coisas. São apenas opções e por mim tudo bem. E esta frase até ficou bonita, afinal até sou uma pessoa sensível. Até acho que estou a ter um ataque de sensibilidade agora, oh não...


Viva os homos. Viva os heteros. Viva toda gente. Viva Portugal. E viva a vocalista dos Tokio Hotel!

Uff... já passou. Excedi-me um pouco. Peço desculpa. Vamos mas é acabar com estas mariquices e voltar à questão do carro. Como tinha começado a dizer, o carro é só a porcaria de um amontoado de ferros e ferrinhos e borrachas e borrachinhas, que todos unidos, aparafusados e sei lá mais o quê, servem para nos levar onde nós quisermos. E ponto final, isto é um carro.
E ao ler isto, o vosso pensamento deve ser mais ou menos isto:

“Uau, isto é um carro. Olha-me este pascaço!”

E realmente têm razão, para que é que eu estou aqui a escrever tanto sem dizer nada? Bem, desde logo porque há algum tempo que ninguém escreve nada aqui e sinto a necessidade de encher este post de alguma forma. E depois porque há demasiadas pessoas que me vêm como expert em carros e isso é algo que tem de acabar. E quem diz expert em carros, diz em livros, séries ou desenhos animados. A única coisa em que sou, efectivamente, expert, é em sexo tântrico. Em carros, não. Portanto, quero com isto dizer, meus caros amigos, que não percebo nada do que vocês querem dizer quando começam com aquelas conversas do drift, do drag, das 8 válvulas, do chip no motor, do VTEK com não sei o quê, do GTi andar mais que o TDi porque tem isto e aquilo, das pastilhas do travão e de que o Zé tem um compressor e por isso dá ratada a todos na ponte Vasco da Gama.


É pá, por mim o Zé pode dar essa tal ratada a quem quiser. É-me igual. São coisas que eu não sei e sinceramente também não vejo assim grande necessidade de saber. A menos, claro, que esse tipo de questões possam vir a ser colocadas nas perguntas do Trivial Pursuit. E aí, se calhar, já pensava duas vezes...


Frases do tipo "é pá tu és mesmo o maior", já eu usei diversas vezes enquanto fingia estar atento ao que me diziam. Mas, meus amigos, isso acabou. Eu não quero saber nada de carros. Portanto, se não dominam mais nenhum assunto para além desse, por favor comecem a ler a revista Maria e depois aproveitam para me pôr ao corrente da vida privada do Cristiano Ronaldo, pode ser?

domingo, 25 de maio de 2008

A eurovisão

Podia muito bem ser uma rede de lojas que, espalhadas pela Europa, se dedica à venda de óculos e a problemas relacionados com a visão. Daí o nome. Mas não. É um festival muito bonito, onde se canta e… pronto, é só isso.

Mas é giro, pelo menos há quem acredite que sim. Para comprovar esta afirmação, posso adiantar que há pessoas especializadas em festivais da canção. Sabem todas as músicas, o ano a que corresponde e a respectiva classificação. Fixe, não é? Vá, mais ou menos… E para isso o que é que tiveram que fazer? Nada de especial, só tiveram que abdicar da vida social. Peanuts...

Mas como em qualquer competição há um vencedor. É lógico. A minha pequena questão é: porque é que nunca somos nós? Era giro saber, não era? E então pensei e cheguei a uma mais uma (brilhante?) conclusão. Isso só acontece porque só temos um país vizinho e ainda por cima não tem medo de nós.

Portanto das duas, uma: ou metemos o Cristiano Ronaldo a cantar uma música pimba e toda a gente acha muito bonito porque é o CR7 ou então apostamos forte na aquisição de armas nucleares e dias antes do Festival, fazemos uns telefonemas anónimos e pronto: Portugal 12 points.

Não que eu faça questão de ganhar, até porque sou muito caseiro e nem ia festejar para o Marquês nem nada parecido. Eu acho é que uma vitória era capaz de fazer com que o preço da gasolina baixasse, não?