domingo, 13 de abril de 2008

Modelos de SMS? Certo…

Sentado no banco de uma vulgar paragem de autocarro, às 7h da manhã, balançava os pés. “É maluco”, pensam vocês. E eu concordo, não tanto pelo balançar dos pés, mas porque ninguém acorda tão cedo para ir… à Loja do Cidadão. O mais curioso é que quando lá cheguei já estavam 39 pessoas à minha frente. Acordei tão cedo para isto? Achei estranho e senti-me estúpido. A solução que arranjei foi inventar, para mim mesmo, que as pessoas tiveram de dormir ali para arranjar o lugar e assim não fiquei tão em baixo.

Dou então, por mim, ali em pé. E nestas alturas da vida o que é que uma pessoa pode fazer? Bom, uma opção é meter conversa com os “companheiros” da fila, mas optei por não o fazer, pois ao olhar em volta apercebi-me que tinham todos, pelo menos, o triplo da minha idade. E como ainda não tenho opinião formada sobre assuntos como: reumático, problemas cardíacos e afins, resolvi ficar quietinho.

Mas também só aguentei 3 minutos. Aquela vontade de fazer qualquer coisa foi mais forte. Feliz ou infelizmente, como já me deixei de roer as unhas, saquei do telemóvel. Primeiro pensamento: “Vou enviar SMS’s parvas à malta”, como geralmente faço, acrescente-se, mas depois pensei “E vou mandar para quem?”. É que apesar de os meus contactos serem tudo menos normais, não acordam a esta hora…

Pensei mais um bocadinho e… ideia! Vou mexer no telemóvel, a fingir que estou a enviar mensagens! É estúpido mas é verdade, ás vezes gosto de enganar as pessoas. Pensam que eu estou a escrever mensagens mas não estou. Ahahahha.
Sou tão parvo, eu sei…

Enquanto “actuava” para um público que afinal não me ligava nenhuma, verifiquei uma opção que para mim era estranha: Modelos de Mensagens.
“O que é isto?”, pensei. Segundos depois obtive a resposta, é somente uma coisa que não interessa para nada.
Desde logo porque as palavras das SMS’s predefinidas não estão abreviadas e isso vai gerar dúvidas na cabeça das pessoas. Afinal quem é que está habituado a ler SMS’s em português correcto?!

E pronto isto podia ficar por aqui, não se perdia nada e talvez quando carregassem na cruzinha, para sair, pensassem que leram uma coisa como deve de ser. Ou então não. Por isso resolvi acrescentar uns exemplos do que referi. Aí vão:

Chegarei às – Isto era escusado, quando chegar digo que cheguei! Agora “chegarei às”? Se soubesse que ia chegar tarde tinha logo combinado para mais tarde… Já para não falar que este verbo, em SMS’s nem se conjuga assim. Quanto muito “vou chegar…”

Reunião cancelada. – Sim, esta faz muita falta. O cidadão comum tem sempre imensas reuniões. Nem que seja para ir para cusquice com a vizinha do R\C. Cusquice? Nada disso, reunião.

Também te amo – Esta é genial. Quem enviar este modelo à sua cara-metade das duas, uma: ou não gosta dela e quer que seja ela a acabar, até para depois poder fazer o papel de vítima, ou então por preguiça de escrever “Amu.t”.

Parabéns – Assim, sequinho, em vez de uma SMS daquelas todas catitas e que no geral recebemos no nosso último aniversário. Daquelas que resolvemos guardar para no ano a seguir, quando já ninguém se lembrar, fazermos um brilharete. “Parabéns”. Nem “que contes muitos”, nem nada. “Parabéns” e cala-te, vai lá comer o bolo.

Obrigado – Para o final ficou este “obrigado”, sincero, que vai com toda a certeza deixar a outra pessoa a pensar que fez uma acção tremenda. Claro que é muito mais fácil e rápido ir a Nova Mensagem e escrever OBG, mas pronto…

Posto isto, fiquei um pouco pensativo. Sempre pensei e, aliás, defendi a espectacularidade do meu telemóvel. Agora reparo que ele também tem coisas parvas, como os outros. Estou deprimido.

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